segunda-feira, fevereiro 19, 2018

TRÊS CARTAZES À BEIRA DA ESTRADA



TRÊS CARTAZES À BEIRA DA ESTRADA
“Three Billboards Outside Ebbing, Missouri” é um filme profundamente inquietante e um bom retrato da América de Trump, um país dividido e traumatizado, usando a violência como algo usual e comum, ao serviço das mais variadas razões (e desrazões).
Uma mulher, Mildred Hayes (a fabulosa Frances McDormand), viu a sua filha ser assassinada e violada. Alguns meses depois, as autoridades da pequena localidade de Ebbing não conseguem identificar o autor. Ela acha que há pouca mobilidade e resolve assumir uma atitude inesperada: aluga o espaço de três cartazes decrépitos à beira de uma estrada quase sem trânsito, e coloca neles três frases fatais para o chefe da polícia local, acusando-o de nada ter feito. Os policias reagem com violência e alguma população faz o mesmo. Afinal, o chefe William Willoughby (magnifico Woody Harrelson) é olhado com respeito por todos e todos conhecem o seu estado crítico, atacado por um cancro. É ele que tenta colocar alguma calma nos seus adjuntos, entre os quais um nevrótico Dixon (Sam Rockwell, inesquecível), a quem chega mesmo a dizer: “entre 10 polícias, sete são racistas e os três restantes odeiam maricas”.


Este confronto entre uma mulher que foi abandonada pelo marido, que a trocou por uma jovem de 19 anos, e que nada a recomenda, e a polícia local vai crescendo de violência, tendo pelo meio vários equívocos e pistas falsas. O filme alicerça-se num argumento bastante original e bem estruturado, com personagens fortes e complexas, sem nenhum maniqueísmo, e situações muito bem desenvolvidas. A realização de Martin McDonagh (antes dirigira “Em Burges” e “Sete Psicopatas”), que assina igualmente o argumento original, é clara, eficaz, com momentos de um lirismo e uma sensibilidade tocantes, intercalados com acções de grande vigor e violência. A descrição do ambiente claustrofóbico de uma pequena cidade norte-americana é notável. Interpretações magnificas e vários Oscars assegurados. Quem sabe se O Melhor Filme e alguns dos actores seguramente. Não se percebe muito bem que Martin McDonagh não esteja entre os nomeados para Melhor Realizador.

Um dos melhores filmes do ano. Um retrato implacável da actual América que o realizador considera uma comédia de humor negro. Humor realmente muito negro onde é difícil descortinar uma réstia de esperança. Que existe, apesar de tudo, e vem donde menos se espera.
Classificação: ***** 


TRÊS CARTAZES À BEIRA DA ESTRADA
Título original: Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
Realização: Martin McDonagh (EUA, Inglaterra, 2017); Argumento: Martin McDonagh; Produção: Daniel Battsek, Graham Broadbent, Peter Czernin, Rose Garnett, Ben Knight, David Kosse, Martin McDonagh , Diarmuid McKeown, Bergen Swanson; Música: Carter Burwell; Fotografia (cor): Ben Davis; Montagem: Jon Gregory; Casting: Sarah Finn; Design de produção: Inbal Weinberg; Direcção artística: Jesse Rosenthal; Decoração: Merissa Lombardo; Guarda-roupa: Melissa Toth; Maquilhagem: Susan Buffington, Leo Corey Castellano, Cydney Cornell, Jorie Mars Malan, Lindsay McAllister, Meghan Reilly, Alistair Hopkins, Peggy Robinson, Bergen Swanson; Assistentes de realização: Paula Case, Peter Kohn, Spencer Taylor; Departamento de arte: Steven P. Brown, Kenneth Bryant, Lillian Heyward, Jessica Tyler Segal, Whitney Yale; Som: Timothy Cargioli, Jonathan Gaynor, Joakim Sundström, Hannes Wannerberger; Efeitos especiais: Burt Dalton, William Dawson, Eric Dresso; Efeitos visuais: Andrea Aceto, Simon Hughes, George Kolyras, Paul O'Hara, Noga Alon Stein; Companhias de produção: Blueprint Pictures, Film 4, Fox Searchlight Pictures; Intérpretes: Frances McDormand (Mildred), Caleb Landry Jones (Red Welby), Kerry Condon (Pamela), Woody Harrelson (Willoughby), Sam Rockwell (Dixon), Alejandro Barrios (Latino), Jason Redford (Latino2), Darrell Britt-Gibson (Jerome), Abbie Cornish (Anne), Riya May Atwood (Polly), Selah Atwood (Jane), Lucas Hedges (Robbie), Zeljko Ivanek, Amanda Warren, Malaya Rivera Drew, Sandy Martin, Peter Dinklage, Christopher Berry, Gregory Nassif St. John, Jerry Winsett, Kathryn Newton, John Hawkes, Samara Weaving, Clarke Peters, Allyssa Barley, William J. Harrison, Brendan Sexton III, Eleanor T. Threatt, Michael Aaron Milligan, etc. Duração: 116 minutos; Distribuição em Portugal: Big Picture Films; Classificação etária: M/ 16 anos; Data de estreia em Portugal: 11 de Janeiro de 2018.

quinta-feira, fevereiro 08, 2018

A HORA MAIS NEGRA


A HORA MAIS NEGRA
A Inglaterra enfrenta neste momento da sua história algumas dificuldades resultantes do “brexit”. Altura para se tentar reunir as forças e mentalizar a população com exemplos heroicos. Winston Churchill e a sua epopeia durante a II Guerra Mundial serve bem esses propósitos. Uma das razões seguramente para o aparecimento de dois filmes sobre esta figura ímpar da política inglesa do século XX. “Darkest Hour” é um deles e aparece assinado pelo mesmo realizador que também nos dera “Orgulho e Preconceito”, “Expiação”, “Hanna” ou “Anna Karenina”. Mantendo-se ao nível do realizador interessante que escolhe temas de um certo impacto histórico e literário, Joe Wright aproxima-se muito de uma outra obra recente, “O Discurso do Rei”, de Tom Hooper, mantendo com esta algumas das virtudes e certos dos seus vícios. Os vícios são para mim óbvios e facilmente ultrapassáveis se não se pretendesse fazer “obra de arte original”. Referimo-nos a alguns efeitos sem qualquer justificação, panorâmicas por avenidas ao ralenti, planos filmados a pique, mais uma ou outra situação que em vez de beneficiar o filme o distancia do espectador. Depois levanta-se uma questão que é comum a todos os filmes que procuram ficcionar factos históricos e figuras que existiram realmente. Em que medida situações e conversas apresentadas aconteceram efectivamente?  Algumas dessas liberdades poéticas não resultam muito bem, como por exemplo a viagem de Churchill pelo metropolitano de Londres, auscultando a opinião do povo.
O lado interessante é efectivamente a recuperação de um momento histórico importante, a obstinação de Churchill em não ceder perante a capitulação de alguns políticos ingleses e aceitar um pacto de colaboração com Hitler. Churchill sempre foi pela resistência à barbárie.
Os motivos que valorizam decisivamente este filme, são as interpretações de um elenco de um grande rigor, quer da parte de um extraordinário Gary Oldman, muito bem apoiado por uma maquilhagem acima da média, quer pelos restantes secundários.
Com alguma sobrevalorização, “A Hora mais Negra” está nomeado para alguns Oscars: Melhor Filme, Melhor Actor (Gary Oldman), Melhor Fotografia, Melhor Guarda Roupa, Melhor Direcção Artística e Melhor Caracterização. Há dois candidatos com muitas hipóteses, Oldman e caracterização.
Classificação: ***


A HORA MAIS NEGRA
Título original: Darkest Hour

Realização: Joe Wright (Inglaterra, 2017); Argumento: Anthony McCarten; Produção: Tim Bevan, James Biddle, Lisa Bruce, Liza Chasin, Eric Fellner, Katherine Keating, Anthony McCarten, Douglas Urbanski, Lucas Webb, Dario Marianelli; Fotografia (cor): Bruno Delbonnel (Carlos de Carvalho, na segunda equipa); Música: Geoff Alexander (orquestrador);  Montagem: Valerio Bonelli; Casting: Jina Jay; Design de produção: Sarah Greenwood; Direcção artística: Oliver Goodier, Nick Gottschalk, Joe Howard; Katie Spencer; Guarda-roupa: Jacqueline Durran; Maquilhagem: Jo Barrass-Short, Anita Burger, Ella Burton, Diana Choi, Carolyn Cousins, Bob Kretschmer, David Malinowski, Heather Manson, Helen Masters, Flora Moody, Ivana Primorac, Lucy Sibbick, Rosie Sinfield, Naomi Tolan, Kazuhiro Tsuji, Vincent Van Dyke, Jenny Watson, Direcção de produção: Tim Grover, Jo Wallett, etc. Assistentes de realização: Dan Channing Williams, Gayle Dickie, Jonny Eagle, Candy Marlowe, Sarah Mooney, Thomas Napper; Departamento de Arte: Matt Boyton, Freddie Burrows, Tamara Catlin-Birch, James Collins, Stephanie Gibbins, Georgina Millett, Julia Morgantti Minchillo, Julia Newell, etc. Som: Paul Carter, Michael Maroussas, Chris Murphy, Becki Ponting, Mhairi Wyles-Lang, etc. Efeitos especiais: Jonathan Bullock, Neal Champion, George Spensley-Corfield; Efeitos visuais: Miguel Algora, Yan Caspar Hirschbuehl, Patricia Leblanc, Benjamin Magaña, Stephane Naze, etc. Companhias de produção: Perfect World Pictures, Working Title Films; Intérpretes: Gary Oldman (Winston Churchill), Kristin Scott Thomas (Clemmie), Ben Mendelsohn (Rei George VI), Lily James (Elizabeth Layton), Ronald Pickup (Neville Chamberlain), Stephen Dillane (Viscount Halifax), Nicholas Jones (Sir John Simon), Samuel West (Sir Anthony Eden), David Schofield (Clement Atlee), Richard Lumsden (General Ismay), Malcolm Storry (General Ironside). Hilton McRae, Benjamin Whitrow, Joe Armstrong, Adrian Rawlins, David Bamber, Paul Leonard, David Strathairn, Eric MacLennaN, Philip Martin Brown, etc. Duração: 125 minutos; Distribuição em Portugal: NOS Audiovisuai; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 11 de Janeiro de 2018.

domingo, julho 02, 2017

TEATRO: ERÊNDIA! SIM, AVÓ




ERENDIA! SIM, AVÓ


Gabriel Garcia Marquez escreveu, em 1972, um conto a que deu o nome de “A Incrível e Triste História da Cândida Erêndia e da sua Avó Desalmada”. Com base nesse conto, Rita Lello e o colectivo de “A Barraca” criaram um espectáculo chamado “Erêndia! Sim, Avó”. Estreou agora e vai estar no Cinearte até 30 de Julho.
Quando se assiste a um espectáculo qualquer, à saída já sabemos se gostámos ou não. É a reação primeira. Gostei. Bastante. Depois, com maior atenção vamos procurar saber por que gostámos ou não.
A história é simples: Erêndia, uma menina adolescente, com cerca de 14 anos, vive com a sua avó, que trata de forma desvelada. A tudo diz “Sim, Avó”. Na primeira cena, vemo-la a dar banho à baleia da avó. Depois, trata de tudo na casa, vai-se deitar e, descuidada, deixa que uma vela pegue fogo à casa. Salvam-se ambas, mas a avó contabiliza os prejuízos. Um milhão de pesos, que a neta terá de pagar ao longo de oito anos, que lhe vão sair do corpo. A avó “desalmada” calcula tudo: cerca de 60 a 70 homens lhe terão de passar por cima do corpo, diariamente, a uma média de 50 pesos cada. Assim acontece. A avó estabelece-se à porta da tenda e vai cobrando. A miúda vai sofrendo e dizendo “Sim, Avó”. Uma história destas não pode acabar bem. É para ver o que acontece que se assiste à peça.
Mas não se iludam. Uma história destas não é também tão linear assim. Não se trata só da exploração de uma menor pela velha baleia desalmada da avó. Pode pensar-se em algum país, ou países que contraíram pesadas dívidas e que são obrigados a prostituírem-se para pagar o que devem aos seus credores. Não me parece uma leitura excessiva.
Falemos agora rapidamente do espectáculo. Uma excelente encenação de Rita Lello, inventiva, com magníficas soluções cénicas, servida por um elenco muito coeso, onde sobressaem duas mulheres: obviamente a extraordinária Maria do Céu Guerra, que compõe uma personagem de antologia, ao criar a figura descomunal da avó desalmada, entre o odioso e o divertido, e a jovem Sofia Rio Frio, uma quase estreante, que se mostra uma corajosa e talentosa revelação.

Uma das conclusões a tirar é que “A Barraca” consegue erguer um universo que tem muito de Garcia Marquez e do seu realismo mágico. A peça consegue grande densidade e coerência, a que assacamos apenas duas observações. Por vezes fica muito agarrada à escrita de Garcia Marquez, pecando por alguma literatura a mais; em certos momentos da primeira parte sente-se que o ritmo emperra nalgumas mudanças de cena, que são “tapadas” por canções latino-americanas, cantadas ao vivo. Um pouco mais de ritmo e “era brasa”.  

sexta-feira, março 03, 2017

I CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITO E CINEMA




CINEMA NA REITORIA nova temporada



"América, América, Para onde vais?" Ciclo de filmes comentados sobre a América. Todas as quartas-feiras, pelas 17, 30 horas. Reitoria da Universidade de Lisboa. Entrada Livre

O cinema volta à Reitoria da Universidade de Lisboa, numa altura em que tanto se fala dos EUA, de Donald Trump, da nova orientação política da Casa Branca, da América dividida a meio pelas votações entre Republicanos e Democratas, nas manifestações diárias de “Resistência”, de ameaças de racismo e xenofobia, de perseguição e de apelo ao ódio, de generosa receptividade e igualdade de tratamento, de cosmopolitismo e ruralidade, de intelectualidade e operariado, de Texas e Califórnia, de Michigan e Nova Iorque, de uma nação tão diversificada e multíplice no seu passado, presente e futuro.
Altura achada propicia para se olhar a América através de alguns retratos oferecidos pelo cinema nos últimos 100 anos, desde o ainda mudo “O Nascimento de uma Nação”, de David W. Griffith (1915), até “12 Anos de Escravo”, de Steve McQueen (2013). O grande cinema a discutir grandes temas e a proporcionar boas trocas de ideias e muitos momentos de prazer estético e intelectual.
Lauro António
AMÉRICA, AMÉRICA, PARA ONDE VAIS?

15 DE MARÇO DE 2017: O PADRINHO (The Godfather), de Francis Ford Coppola (EUA, 1972), com Marlon Brando, Al Pacino, James Caan; 175 min; Inglês, leg. Português; M/ 16 anos.
Mario Puzo escreveu este documento impressionante sobre uma família mafiosa que controla de forma criminosa o jogo, a bebida, a prostituição. Com a chegada da droga, a “família” renova-se. 

22 DE MARÇO DE 2017: O MUNDO A SEUS PÉS (Citizen Kane), de Orson Welles (EUA, 1941), com Orson Welles, Joseph Cotten, Dorothy Comingore; 119 mi; Inglês, leg. Português; M/ 12 anos.
Por muitos considerado o melhor filme de sempre, “Citizen Kane” foca-se sobre a personalidade e a vida de um magnate da comunicação social com ambições políticas.

29 DE MARÇO DE 2017: O GIGANTE (Giant), de George Stevens (EUA,1956), com Elizabeth Taylor, Rock Hudson, James Dean; 201 min; Inglês, leg. Português; M/ 12 anos.
Um épico sobre a vida de uma família no Texas do petróleo e das desigualdades sociais. Retirado de um best seller de Edna Ferber.

5 DE ABRIL DE 2017: O GRANDE GATSBY (The Great Gatsby), de Jack Clayton (EUA, 1974), com Robert Redford, Mia Farrow, Bruce Dern; 144 min; Inglês, leg. Português; M/ 12 anos.
Segundo romance de F. Scott Fitzgerald, os loucos anos 20 na América. Um retrato desapiedado do luxo e da boémia e uma certa classe social.

12 DE ABRIL DE 2017: FÚRIA DE VIVER (Rebel Without a Cause), de Nicholas Ray (EUA, 1955), com James Dean, Natalie Wood, Sal Mineo; 111 min; Inglês, leg. Português; M/ 12 anos.
A revolta da juventude americana durante a década de 50. Um jovem numa nova cidade, com amigos e inimigos, a demissão da família, a incompreensão da sociedade.

19 DE ABRIL DE 2017: NA SOMBRA E NO SILÊNCIO (To Kill a Mockingbird), de Robert Mulligan (EUA, 1962), com Gregory Peck, John Megna, Frank Overton; 129 min; Inglês, leg. Português; M/ 12 anos.
Atticus Finch, um advogado, durante o período da Grande Depressão, defende no tribunal um negro acusado injustamente de uma violação… Segundo romance de Harper Lee.

26 DE ABRIL DE 2017: OS HOMENS DO PRESIDENTE (All the President's Men), de Alan J. Pakula (EUA, 1976), com Dustin Hoffman, Robert Redford, Jack Warden; 148 min; Inglês, leg. Português; M/ 12 anos.
Bob Woodward e Carl Bernstein, jornalistas do "The Washington Post", investigam o chamado Caso Watergate. que implicou o Presidente Richard Nixon e o levou à demissão.

3 DE MAIO DE 2017: TEMPOS MODERNOS (Modern Times), de Charles Chaplin (EUA, 1936), com Charles Chaplin, Paulette Goddard, Henry Bergman; 87 min; Inglês, leg. Português; M/ 6 anos.
Chaplin é o operário que passa a vagabundo ao nao se adaptar aos tempos modernos e às novas tecnologias e vive com uma jovem sem abrigo.

10 DE MAIO DE 2017: REVOLUÇÃO (Revolution), de Hugh Hudson (EUA, 1985), com Al Pacino, Donald Sutherland, Nastassja Kinski; 126 min; Inglês, leg. Português; M/ 12 anos.
A Revolução norte-americana vista pelos olhos de Tom Dobb, um nova-iorquino que nela participa involuntariamente, depois do seu filho ser recrutado de forma ardilosa. 

17 DE MAIO DE 2017: 12 ANOS ESCRAVO (12 Years a Slave), de Steve McQueen (EUA, 2013); com Chiwetel Ejiofor, Michael Kenneth Williams, Michael Fassbender; 134 min; Inglês, leg. Português; M/ 16 anos.
Nos EUA colonial e anterior à guerra, Solomon Northup, um negro livre de Nova Iorque é sequestrado e reduzido à condição de escravo, passando doze anos de privações.

24 DE MAIO DE 2017: A FÚRIA DA RAZÃO (Dirty Harry), de Don Siegel (EUA, 1971), com Clint Eastwood, Andrew Robinson, Harry Guardino; 102 min; Inglês, leg. Português; M/ 18 anos.
O serial killer chama-se a si próprio “the Scorpio Killer” e ameaça a cidade de São Francisco. O Inspector Harry Callahan irá tomar em mãos esse assunto e resolvê-lo à sua maneira.

31 DE MAIO DE 2017: AMÉRICA, AMÉRICA (America America), de Elia Kazan (EUA, 1963), com Stathis Giallelis, Frank Wolff, Elena Karam; 174 min; Inglês, leg.Espanhol; M/ 12 anos.
Escrito e realizado por Elia Kazan em jeito de autobiografia e homenagem, a história de um grego da Anatólia que sonha com a América.

7 DE JUNHO DE 2017: AS PORTAS DO CÉU (Heaven's Gate), de Michael Cimino (EUA, 1980), com Kris Kristofferson, Christopher Walken, John Hurt; 325 min (versão integral); M/ 12 anos.
A epopeia real da guerra conhecida por Johnson County War, em 1890, no Estado do Wyoming, que opõe fazendeiros emigrantes e os ricos latifundiários que exploram as terras comuns.

14 DE JUNHO DE 2017: TAXI DRIVER (Taxi Driver), de Martin Scorsese (EUA, 1976), com Robert De Niro, Jodie Foster, Cybill Shepherd; 143 min; Inglês, leg. Português; M/ 18 anos.
Um veterano da Guerra do Vietnam trabalha como taxista na cidade de Nova Iorque. Uma personalidade traumatizada e uma sociedade decadente são os elementos essenciais para a explosão da violência.

21 DE JUNHO DE 2017: SHORT CUTS - OS AMERICANOS (Short Cuts), de Robert Altman (EUA, 1993), com Andie MacDowell, Julianne Moore, Tim Robbins; 188 min; Inglês, leg. Espanhol; M/ 16 anos.
Segundo contos de Raymond Carver, este é o dia a dia de alguns dos habitantes dos subúrbios de Los Angeles, num dos admiráveis filmes puzzles de Altman.

28 DE JUNHO DE 2017: NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO (The Birth of a Nation), de D.W. Griffith (EUA, 1915), com Lillian Gish, Mae Marsh, Henry B. Walthall; 165 min; Mudo, Inglês, leg. Português; M/ 12 anos.
Adaptado de "The Clansman: An Historical Romance of the Ku Klux Klan", de  Thomas Dixon Jr., esta é a obra-prima de Griffith que é simultaneamente um infamante filme racista, testemunhando um momento decisivo da história dos EUA: antes, durante e depois da guerra da Secessão. O elogio da Ku Klux Klan.

5 DE JULHO DE 2017: AMÉRICA, AMÉRICA PARA ONDE VAIS? (Medium Cool), de Haskell Wexler (EUA, 1969), com Robert Forster, Verna Bloom, Peter Bonerz; 141 min; Inglês, leg. Espanhol; M/ 12 anos.
Um repórter de televisão acompanha a convenção do Partido Democrata norte americano, no ano de 1968. Acaba envolvido em actos de violência. 

segunda-feira, fevereiro 27, 2017

OSCARS 2017: OS VENCEDORES

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OSCARS 2017: OS VENCEDORES
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Até à atribuição do último Oscar estava convencido que esta teria sido a melhor cerimónia de atribuição de Oscars de há muito a esta parte. Teria mesmo que se agradecer este facto a Donald Trump. Depois, com aquela trapalhada do “Melhor Filme do Ano” acredito que esta foi a cerimónia mais surpreendente de há muito. Mas acho que de um modo geral foi divertida, corajosa, e justa em quase tudo. Vamos á lista definitiva (até ver!):

Melhor Filme
La La Land, não desculpem, é engano, foi Moonlight
Melhor Realizador
Damien Chazelle, por La La Land
Melhor Ator
Casey Affleck, em Manchester by the Sea
Melhor Atriz
Emma Stone, em La La Land
Melhor Ator Secundário
Mahershala Ali, em Moonlight
Melhor Atriz Secundária
Viola Davis, em Fences
Melhor Argumento Original
Manchester By the Sea
Melhor Argumento Adaptado
Moonlight
Melhor Filme de Animação
Zootopia
Melhor Filme em lingua nâo inglesa
“The Salesman” (Irão: Asghar Farhadi)
Melhor Documentário
OJ: Made in America
Melhor Design de Produção
La La Land
Melhor Fotografia
La La Land
Melhor Guarda-Roupa
Fantastic Beasts and Where to Find Them
Melhor Montagem
Hacksaw Ridge
Melhor Maquilhagem e Cabelo
Suicide Squad
Melhor Banda Sonora Original
La La Land
Melhor Canção Original
 “City of Stars,” La La Land
Melhor Edição de Som
Arrival
Melhor Mistura de Som
Hacksaw Ridge
Melhores Efeitos Visuais
The Jungle Book
Melhor Curta de Animação
Piper
Melhor Curta de ficção
Sing
Melhor Curta Documental
The White Helmets


domingo, fevereiro 26, 2017

OSCARS 2017 PREVISÕES



OSCARS 2017 - PREVISÕES
a verde os que penso irem ganhar
a azul os meus preferidos
(não vi ainda vários filmes nomeados, logo as previsões são muito falíveis)

Melhor Filme
La La Land (vai ganhar, mas não merece)
Moonlight (o meu preferido)
Manchester by the Sea
Arrival
Lion
Hacksaw Ridge
Hidden Figures
Fences
Hell or High Water

Melhor Realizador
Dennis Villeneuve, por Arrival
Mel Gibson, por Hacksaw Ridge
Damien Chazelle, por La La Land (vai ganhar, mas não merece)
Kenneth Lonergan, por Manchester by the Sea
Barry Jenkins, por Moonlight

Melhor Ator
Casey Affleck, em Manchester by the Sea
Denzel Washington, em Fences
Ryan Gosling, em La La Land
Viggo Mortensen, em Captain Fantastic
Andrew Garfield, em Hacksaw Ridge

Melhor Atriz
Emma Stone, em La La Land
Natalie Portman, em Jackie
Ruth Negga, em Loving
Meryl Streep, em Florence Foster Jenkins
Isabelle Huppert, em Elle

Melhor Ator Secundário
Jeff Bridges, em Hell or High Water
Mahershala Ali, em Moonlight
Dev Patel, em Lion
Michael Shannon, em Nocturnal Animals
Lucas Hedges, em Manchester By Sea

Melhor Atriz Secundária
Viola Davis, em Fences
Naomie Harris, em Moonlight
Nicole Kidman, em Lion
Octavia Spencer, em Hidden Figures
Michelle Williams, em Manchester By The Sea

Melhor Argumento Original
Hell or High Water
La La Land
The Lobster
Manchester By the Sea
20th Century Women

Melhor Argumento Adaptado
Moonlight
Lion
Hacksaw Ridge
Arrival
Fences
Hidden Figures

Melhor Filme de Animação
Kubo and the Two Strings
Moana
My Life as a Zucchini
The Red Turtle
Zootopia

Melhor Filme em lingua nâo inglesa
“Toni Erdmann” (Alemanha: Maren Ade)
“The Salesman” (Irão: Asghar Farhadi)
“Land of Mine” (Dinamarca: Martin Zandvliet)
“Tanna” (Austrália: Martin Butler, Bentley Dean)
“A Man Called Ove” (Suécia: Hannes Holm)

Melhor Documentário
Fire At Sea
I am Not Your Negro
Life Animated
OJ: Made in America
13th

Melhor Design de Produção
Arrival
Fantastic Beasts and Where to Find Them
Hail, Caesar!
La La Land
Passengers

Melhor Fotografia
Arrival
La La Land
Lion
Moonlight

Melhor Guarda-Roupa
Allied
Fantastic Beasts and Where to Find Them
Florence Foster Jenkins
La La Land

Melhor Montagem
Arrival
Hacksaw Ridge
Hell or High Water
La La Land
Moonlight

Melhor Maquilhagem e Cabelo
A Man Called Ove
Star Trek Beyond
Suicide Squad

Melhor Banda Sonora Original
Jackie
La La Land
Lion
Moonlight
Passengers

Melhor Canção Original
“Audition (The Fools Who Dream),” La La Land
“Can’t Stop the Feeling,” Trolls
“City of Stars,” La La Land
“The Empty Chair,” Jim: The James Foley Story
“How Far I’ll Go,” Moana

Melhor Edição de Som
Arrival
Deepwater Horizon
Hacksaw Ridge
La La Land
Sully

Melhor Mistura de Som
Arrival
Hacksaw Ridge
LaLa Land
Rogue One
13  Hours

quarta-feira, fevereiro 22, 2017

"AVENIDA Q", O MUSICAL


AVENIDA Q

“Que merda que eles são”. Eles são os actores de “Avenida Q” e é assim que iniciam a representação de cada dia. Um a um aparecem em palco e vão cantando “Que merda que eu sou”. Referem-se às suas capacidades interpretativas? Não. Falam enquanto personagens do musical. Ou seja, cada um deles considera-se uma merda porque não consegue realizar os seus sonhos. Um tirou um curso, fez mestrado, etc, e não arranja emprego, outra sonha com uma escola para “monstrinhos”, outro não sai do armário apesar de ser gay, outros ainda não têm meios para casarem, e assim por diante. É conveniente não esquecer ainda a Paula Porca que faz as delicias de quem com ela se cruza.
Elas são as personagens que vivem nesta avenida Q que durante hora e meia vão representar, dançar e cantam as desditas, mas também a esperança de cumprirem os seus sonhos, e verdadeiramente encantar o público que esgota as sessões diariamente do Teatro Trindade.
Dizem os promotores do espectáculo que “Avenida Q” “é o musical mais estúpido e genial de todos os tempos - uma Rua Sésamo em esteróides, que junta à estética Muppets uma linguagem tão adulta, que só funciona mesmo porque a vida é uma longa marcha de tédio em direção à campa. Ah, e porque as músicas são bestiais”.
Na verdade, os actores surgem em palco acompanhados cada um por uma marioneta que recorda obviamente os Marretas ou a Rua Sésamo, mas a linguagem é manifestamente outra. Muito mais abrasiva, mas tão bem-disposta e tão natural que não choca (ou choca na medida certa) o público que a ouve. Soa a crítica certeira e actual a muitos dos problemas que a sociedade em que vivemos enfrenta, do racismo ao preconceito, da dependência da internet à do sexo, da falta de emprego a etc. e tal. É um bom retrato de um mundo um pouco à deriva.
“Avenida Q” estreou na Broadway e tem sido um sucesso ali e por todos os países por onde tem passado. O texto é de Robert Lopez, Jeff Marx e Jeff Whitty, foi traduzido por Henrique Dias com graça e uma ou outra adaptação ao caso português muito a propósito, tem uma cuidada encenação de Rui Melo, que aproveita a encenação americana, mas o faz com eficácia e alguma originalidade, tem tradução e adaptação de canções dos mesmos Henrique Dias e Rui Melo, direção musical de Artur Guimarães e desenho de luz de Paulo Sabino. Do elenco, muito jovem, muito homogéneo, muito inspirado, fazem parte Ana Cloe, Diogo Valsassina, Gabriela Barros, Inês Aires Pereira, Manuel Moreira, Rodrigo Saraiva, Rui Maria Pêgo, Samuel Alves, Artur Guimarães, Luís Neiva e André Galvão. Uma produção “Força de Produção” que aconselho vivamente.

Dizem que a juventude não gosta de musicais. Pois desloquem-se ao Trindade e assistam in loco ao desmentir dessa (falsa) conclusão. De resto, algo se passa no teatro em Portugal. Nos últimos tempos fui quatro vezes ao teatro, ver “As Árvores Morrem de Pé”, “A Noite de Iguana”, “Amália” e “Avenida Q” em salas que não se pode dizer que tenham poucos lugares, Politeama, São Luiz e Trindade. Todas as sessões completamente esgotadas. Público que se pode muito bem afirmar em histeria no final, aplaudindo de pé. O teatro está vivo.